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Entrevista com Rui Alvarez.
Coordenador da Seleção Portuguesa de rugby faz visita ao Desterro e cede uma entrevista exclusiva.

O desterrorugby.com.br teve o privilégio de entrevistar Rui Alvarez, Coordenador da Seleção Portuguesa de Rugby (team manager) em sua visita aos treinamentos da equipe principal do clube catarinense. Em um agradável bate-papo com sotaque lusitano, o dirigente português, ao lado do presidente do Desterro - Sr Aurélio Zimermann -,  respondeu prontamente e com muito bom humor às perguntas realizadas.

Rui Alvarez está de férias no Brasil e aproveitou a oportunidade para conhecer a realidade do rugby brasileiro a nível de clubes. Deixou explicito antes da entrevista que, em sua terra natal, não dá esta oportunidade aos jornalistas locais até que sua seleção se classifique (ou não) para a Copa do Mundo da França, que ocorrerá em 2007 na cidade de Paris.

1 - Como está o rugby português a nível europeu?

Está numa situação muito boa, pois somos a sétima equipe européia em termos de ranking no rugby XV. Somos tetracampeões do campeonato europeu na categoria seven. O rugby juvenil em portugal não está tão bem porque temos mais dificuldade com o trabalho de base, a nível de formação. No ranking mundial ocupamos a posição 15.

2 - Portugal participa de algum torneio como o Seis Nações?

Sim, Portugal participa do "Seis Nações B" juntamente com as equipes da Russia, Geórgia, Romênia, Ucrânia (que subiu para o lugar da Espanha neste ano) e República Tcheca. O torneio é disputado em dois anos e somos os atuais campeões (2004). No torneio deste ano, que termina em 2006, estamos empatados em primeiro lugar com a Romênia e com a Geórgia.

3 - Existe profissionalismo em Portugal no campeonato nacional?

Não existe profissionalismo em Portugal. Temos uma série de treinadores que são remunerados pelo trabalho que dedicam e o tempo que perdem em relação a suas vidas particulares e profissionais. Existem alguns jogadores que também são remunerados em termos do trabalho que desenvolvem dentro das camadas mais jovens do clube e alguns jogadores argentinos, neozelandeses que são contratados mas não são de grande nível porque o rugby português não tem condições de pagar jogadores de nível. 

4 - A seleção portuguesa enfrentou e venceu a seleção do Chile no torneio CONSUR. Como foi esta experiência?

Este torneio tem a participação de equipes européias e sulamericanas, onde a segunda e a terceira colocada do Campeonato Sulamericano enfrentam a primeira e a segunda colocada do "Seis Nações B". Ano passado jogamos em Santiago do Chile contra a seleção local e ganhamos. Depois jogamos em Montevideo e perdemos para o Uruguai. Este ano saímos campeões deste Torneio pois vencemos estas duas seleções em Lisboa.

5 - As seleções do Chile e o Paraguai são os principais adversários do Brasil na América do Sul. Quais são os principais adversários de Portugal na Europa?

Romênia, Geórgia e Rússia são nossos principais adversários.

6 - O senhor acha interessante a vinda de clubes portugueses para realizarem partidas contra equipes sulamericanas?

Acho fundamental a troca de experiência entre as equipes naquilo que vocês brasileiros chamam de gira e nós chamamos de turnê. É a única maneira de pôr em contraste realidades de rugby que, embora muito parecidas, têm especificidades muito concretas. Nós encontramos, essencialmente na América do Sul, quando jogamos contra equipes sulamericanas tanto aqui quanto em Lisboa, um equilíbrio muito razoável. Considero a equipe portuguesa superior à equipe chilena neste momento. Quanto à equipe uruguaia, algumas vezes nos ganhará e outras vezes ganharemos deles, ou seja, somos equipes equilibradas. Acredito que jogar aqui no Brasil será um grande avanço para as equipes portuguesas e, igualmente, para o rugby brasileiro e para o rugby sulamericano. Quanto mais fizermos para os clubes, melhor será para o rugby em geral.

7 - A Seleção Brasileira Feminina de Rugby Seven, atual campeã sulamericana, apresenta um alto nível de desenvolvimento, sendo disparado a melhor seleção da América do Sul, invicta nos dois anos de competição. Como é o rugby feminino em Portugal?

É relativamente fraco. O nível competitivo iniciou há pouco tempo em Portugal embora temos um grande empenho das jogadoras e dos treinadores. Estamos encarando o fato de lançar o rugby feminino em Portugal de forma muito séria, com participação em muitos torneios europeus.

Eu digo que fiquei agradavelmente surpreendido pela situação do rugby feminino brasileiro, pois não fazia a mínima idéia de que o mesmo está superior ao rugby masculino deste país e é uma ótima surpresa ter a notícia de que elas conseguem bater equipes que os homens normalmente não conseguem ganhar. Ganhar é sempre um bom princípio seja com homens ou seja com mulheres, Com mulheres é realmente espetacular que tenham esta capacidade de ganhar de equipes de reconhecida potência mundial no rugby. Portanto, para mim, é uma agradável surpresa.

8 - Para finalizar, o senhor pode nos passar alguns conselhos para que o rugby brasileiro atinga um nível parecido com o do Chile, Uruguai ou até mesmo de Portugal?

É difícil dar conselhos porque não conheço bem a realidade do rugby brasileiro. A única coisa que posso dizer é para não contratarem jogadores estrangeiros. Contratem bons treinadores. Comecem o trabalho por baixo. Tendo treinadores competentes, os jogadores aparecem e depois deles aparecerem, se quiserem contratar jogadores estrangeiros para melhorar o jogo a nível de clubes, então contratem. Fundamental é formação, formação, formação e esta formação só pode ser feita com treinadores capacitados.

Entrevista realizada em 24 de novembro por João Felipe Werner

 
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