Sr. Aurélio, empresário de 54 anos, foi Presidente do Desterro na sua formação em 1995 e posteriormente o Clube foi dirigido por Jogadores Fundadores. Em 2004 foi convidado novamente a ocupar o cargo que em conjunto com outros Diretores Jogadores buscam resultados planejados. O desterro também possui um Conselho que participa ativamente no desenvolvimento das atividades do Clube.
Desterro Rugby Clube : www.desterrorugby.com.br
Entrevista:
1 – O Desterro Rugby Clube foi fundado em 1995 e após 10 anos de existência como o Sr. considera que esteja a organização do Clube?
R. – “ A mudança dos Estatutos para atendimento do Código Civil Brasileiro possibilitou nova filosofia de administração, onde a administração do clube funciona como um colegiado. A Diretoria Executiva e o Conselho Consultivo planejam e definem suas prioridades. E as ações são executadas pelas Diretorias responsáveis e quando necessário, auxiliadas por comissões. O papel do Presidente é coordenar e acompanhar o desenvolvimento das ações, e buscar e manter parcerias com órgãos públicos e privados para o desenvolvimento do esporte. “
2 – Na sua opinião, o que é necessário para ser ter um time de Rugby competitivo no Brasil, tendo em vista todas as dificuldades em relação a obter jogadores, falta de incentivos, de patrocinadores e divulgação?
R. – “ Considero o trabalho de base o mais importante. A primeira equipe do Desterro foi formada com alguns jogadores que já conheciam o rugby e a grande maioria com jovens iniciantes. De lá para cá sempre se buscou novos jogadores em escolas, quando algumas parcerias (embora temporárias) foram formadas, possibilitando a renovação com jogadores das categorias de bases. Nestes anos tivemos também a incorporação importante de atletas experientes advindos de outros estados, principalmente São Paulo, e de outros países. Atualmente o Desterro está participando do Campeonato da Liga Sul com duas equipes, uma com jogadores acima, e outra M23, esta com alguns jogadores da UFSC. “
3 – Quais são os objetivos do Desterro a curto e médio prazo?
R. – “ Quando a atual diretoria assumiu a administração do clube no final de 2004, foi feito um planejamento para os próximos dois anos que tem como principais objetivos: tornar o rugby mais conhecido em Florianópolis através da aproximação com a imprensa, a divulgação do nosso site e principalmente a realização do Floripa Rugby Sevens, que teve a primeira edição realizada com sucesso em janeiro deste ano e que deve se repetir em 2006 com a ampliação do número de equipes estrangeiras participantes. O outro grande objetivo, muito ligado ao primeiro, é aumentar o número de praticantes do esporte na cidade e para isso foram escolhidas as categorias de base, através do Projeto Rugby Floripa (M12) e da parceria com o Centro Federal de Ensino Tecnológico de Santa Catarina onde, a partir do próximo mês, estaremos fazendo campanhas para buscar novos jogadores na categoria M16. “
4 – Sobre o projeto “ Rugby Floripa”, que está no seu segundo ano
de existência, gostaríamos que o Sr. nos informasse o por que dele? Qual o objetivo deste projeto?
R. – “ O Projeto Rugby Floripa é o resultado da ação coordenada entre atletas do rugby e profissionais do esporte em diversas especialidades que levam a prática do esporte a crianças de várias comunidades da grande Florianópolis. O projeto pretende oferecer subsídios para educação através do esporte e a criação de uma cultura de rugby nos bairros que por ele forem atendidos. O projeto é uma iniciativa de algumas pessoas ligadas ao clube (jogadores e treinador) que através da experiência do técnico Orlando Marre,tendo como modelo o desenvolvimento do rugby no Chile e Uruguai, entenderam que a inclusão do esporte em escolas e comunidades para crianças a partir de 10 anos de idade seria a melhor forma de desenvolvimento e divulgação do esporte. Além disso, o projeto tem o objetivo de dar oportunidade à crianças carentes de participarem de atividades esportivas sem nenhum custo. “
5 – Quais a maiores dificuldades em se desenvolver um projeto como o “Rugby Floripa” e como vocês estão fazendo para que ele tenha continuidade?
R. – “ As maiores dificuldades estão relacionadas diretamente com a falta de apoio do Estado ao Esporte como um todo. Por mais incrível que possa parecer, em Florianópolis, quase não há campos públicos onde as crianças possam jogar e se divertir, sobretudo nos bairros mais carentes. Outro problema encontrado é, sem dúvida, conseguir dar continuidade ao projeto até que ele cumpra o que se propõe. Para isso é preciso sempre ter consciência que os frutos do trabalho de hoje só serão colhidos no longo prazo. É bom lembrar que outros importantes projetos de desenvolvimento do rugby infantil em Florianópolis tiveram seu fim porque não havia quem desse continuidade. Tendo isso em vista, esperamos superar essas barreiras coordenando núcleos de bairro que em si mesmos são independentes, uma vez que através da participação da escola e associações de bairro e, principalmente, da participação dos pais dos atletas é possível introduzir uma cultura do esporte no bairro que se perpetue independentemente do Projeto. Quando o rugby fizer parte das tradições e atividades do bairro, a presença do projeto não será mais necessária. “
6 – Vocês possuem ajuda, apoio ou patrocínio de alguma instituição ou empresa para poder tocar e custear este projeto?
R. – “ O Projeto ainda mantém-se dos esforços voluntários de professores e treinadores de rugby, mas estamos negociando apoios públicos e privados para a ampliação do projeto. ”
7 – Com o “ Rugby Floripa” vocês divulgam o Rugby para crianças das comunidades da grande Florianópolis. O mais importante é obter novos jogadores para o Desterro ou isso é conseqüência da divulgação do Rugby na região? Quantas crianças até o momento tiveram acesso ao projeto?
R. – “ O trabalho não visa a formação novos atletas para o Desterro, visa sim a criação de núcleos independentes de prática do rugby nas varias comunidades da cidade. É através da interação do projeto com as escolas e associações de bairro que se espera o surgimento efetivo de uma cultura da prática do rugby em
Florianópolis. Aí sim, poderemos esperar que dessas comunidades surjam novos talentos e até, porque não, novos clubes na cidade e região. O projeto conta hoje com atividades em três bairros da Capital catarinense, onde aproximadamente 60 crianças treinam regularmente em suas respectivas comunidades, mas desde o início contabiliza-se que mais de 200 crianças tenham passado pelos treinos e atividades do projeto. Para o próximo mês está previsto o início das atividades em mais um bairro. “
8 – O que o Sr. acha que seja necessário para que outros Clubes obtenham com sucesso a realização de projetos como este?
R. – “ O mesmo que é preciso para vencer dentro de campo, organização, competência, e sobretudo, pessoas dedicadas que enfrentem e superem os muitos obstáculos no caminho pelo puro amor ao esporte. “
9 – Hoje o Desterro possui além deste projeto, times já formados em todas as categorias, Adulto, M-23 e Feminino. O que é necessário para que os jogadores se comprometam com o Clube? Quais os incentivos e como devemos cobrar este compromisso?
R. – “ Na minha opinião, o compromisso deve partir do clube oferecendo as condições de treinamento, jogos, desenvolvimento, participação em competições, excursões e outras ações que despertem o interesse dos atletas. O compromisso dos jogadores será conseqüência da organização do clube. “
10 – A Liga Sul de Rugby, foi a primeira Liga formada no Brasil. Qual a importância desta Liga para o desenvolvimento do Rugby na região e para o Desterro?
R. –“ A iniciativa dos principais clubes da Região Sul possibilitou a criação de novas equipes e o desenvolvimento de novas categorias. Em 2005 está sendo realizada pela primeira vez a competição com equipes femininas e esperamos que em 2006 possamos incluir a categoria juvenil. Para o Desterro a Liga Sul está sendo a oportunidade de fazer com que um maior número de atletas participem de competições com a formação de duas equipes. ”
11 – Quais as principais dificuldades que o Desterro tem passado para o seu crescimento e como estão sendo solucionadas?
R. – “ A principal dificuldade está sendo a falta de campo para treinamento. Só neste ano passamos por três locais diferentes e atualmente contamos o apoio do Centro Federal de Ensino Tecnológico de Santa Catarina. O principal objetivo neste sentido é a busca de um local definitivo que atenda às necessidades de todas as categorias. “
12 – O fato de estarem longe da Capital Paulista, onde temos o maior número de times de Rugby, traz para o Desterro mais dificuldade para a prática e desenvolvimento do esporte?
R. – “ O fato de estarmos longe de centros como São Paulo reduz o número de jogos fora das temporadas de campeonato. Quanto mais uma equipe participa de jogos, mais competitiva ela será. Por outro lado, não creio que este fator se constitua em dificuldade para a prática e desenvolvimento do esporte. Penso que isto também é uma oportunidade para que jovens possam participar de um esporte, e aí sim, o maior desafio é competir com equipes de outros estados e apresentar resultados que premiam as dificuldades enfrentadas. A oportunidade de competir em outros centros, jogar com equipes de estados e países com maior tradição se
constitui num desafio que os atletas do Desterro tem superado de forma animadora. Se considerarmos que a distância até São Paulo é semelhante à da Argentina e Uruguai, temos também a oportunidade de jogar com equipes destes países para o aperfeiçoamento do nosso time. A exemplo disto, em julho realizaremos duas partidas em Montevidéu. “
Sr. Aurélio, muito obrigado pela sua entrevista, parabéns pelo projeto “Rugby Floripa” e esperamos que com ele o Rugby se desenvolva cada vez mais no Brasil, tendo em vista que todas as crianças que poderão ter acesso ao Rugby hoje pelo projeto, no futuro poderão estar em outras regiões do Brasil formando novos Times e assim difundindo nossa paixão esportiva.
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Perguntas elaboradas por Douglas Damame
Fonte: http://www.rugbymagazine.com.br/entrevistas.asp?id=5