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Entrevista com Sr. Roberto Gouvêa
Presidente da ABR esclarece a importância da organização dos Clubes.

Em entrevista ao site Rugby Magazine, o presidente da Associação Brasileira de Rugby esclarece a importância da organização dos Clubes e o papel da ABR no rugby brasileiro. Veja a entrevista:

1- A A.B.R. vem tentando neste último ano organizar o Rugby Brasileiro, pressionando os clubes a se organizarem e assim só os filiando se apresentarem diversos documentos tanto dos jogadores como do próprio Clube, mas sabemos que 98% dos times brasileiros não se enquadram a esta realidade. Como a Associação poderá promover o Campeonato Brasileiro sem ter um número suficiente de times filiados ou qualquer time filiado ou não poderá participar? A Associação possui hoje quantos times filiados estando com a documentação entregue?

R: Consistente com o que foi concordado na Assembléia no início do ano, a A.B.R. realmente vem incentivando os clubes a se cadastrarem junto com os seus jogadores, pois só assim teremos condições de tomar pulso da situação real atual do nosso esporte e avaliar e aprimorar o seu desenvolvimento futuro.
Ciente do fato que nem todos as agremiações praticantes de rugby tem a mesma estrutura foram criados três opções para cadastramento com diferentes requisitos e privilégios distintos :

- Filiado
- Vinculado
- Registrado

Estas opções que permitem a todos participar de forma mais ordenada da vida do Rugby Brasileiro foram enviadas aos interessados e estão postadas no site da Associação para facilitar o cadastramento.
O cadastramento não foi imediato, mas já temos 18 clubes registrados e destes 80% possuem todos os documentos necessários.
Promoveremos o Campeonato Brasileiro com as equipes que já estão cadastradas.
Se precisar de mais informações é só ir até o site da ABR e clicar em Normas e Ficha de cadastro para os clubes.


2 - Como a Associação vê os Campeonatos que não são administrados diretamente por ela e qual a importância destes para o Rugby Brasileiro? Quais os requisitos que um evento, sendo um torneio ou um campeonato, seja apoiado ou oficializado pela A.B.R.?

R: Em linha com o seu mandato de organizar, disciplinar e promover a prática do nosso esporte no Brasil, a ABR vê de forma positiva a prática do rugby mesmo que em competições não administradas, diretamente, pela nossa Associação sempre quando os envolvidos na organização e nos jogos respeitarem os princípios éticos que norteiam o esporte (Disciplina, Respeito às regras do jogo, Respeito aos adversários, árbitros e espectadores e Camaradagem após o jogo). Competições que seguem estes princípios ajudam a difundir o Rugby e a preservar a imagem do nosso esporte.
Como órgão máximo do Rugby nacional a ABR tem a responsabilidade de monitorar o esporte e se assegurar que estes princípios norteiam todas as nossas competições.
Todos os eventos de Rugby, a priore, têm o apoio da ABR.
Quanto o torneio a ser oficializado pela ABR... aí existem algumas regras.

a) A organização deve enviar pedido de oficialização do evento à diretoria da ABR com antecedência, para análise da ABR;
b) Se o organizador for um clube, este, deverá ser filiado a ABR e estar em dia com suas obrigações cadastrais e financeiras com a ABR.
Se o organizador for pessoa jurídica, ou física, deverá apresentar um plano de trabalho para análise da ABR onde conste as equipes envolvidas. Estas equipes deverão ser filiadas ou vinculadas à ABR.
c) Se o evento for misturando equipes nacionais e internacionais, as equipes internacionais deverão trazer uma autorização do órgão oficial de seu país.


3 - Qual a importância de um clube ser filiado a Associação Brasileira de Rugby?

R: Para o Rugby brasileiro é extremamente importante que as agremiações e seus jogadores se cadastrem. Só assim, conhecendo melhor o nosso público, é que poderemos contribuir melhor para o engrandecimento do Rugby no Brasil e atender melhor os anseios de cada um dos nossos Filiados/Vinculados/Registrados. Só com um Rugby mais organizado e com dados concretos é que poderemos ter maior sucesso nos pleitos de apoio junto ao IRB e patrocinadores potenciais.Tudo isto reverterá em benefícios para as próprias agremiações.
Mais especificamente um filiado hoje tem direito a:

- solicitar treinador para eventual curso
- solicitar palestras para árbitros e treinadores
- solicitar material em vídeo
- solicitar autorização para viagens internacionais
- solicitar cópias de materiais enviados pelo IRB e Consur (jornais e material de desenvolvimento)
pagando apenas os custos de reprodução do material, quando for necessário cópias.
- Constarão do site da ABR (para contatos futuros)
- Poderão participar de torneios oficializados da ABR pagando só a taxa de inscrição do torneio
- Poderão utilizar as dependências da ABR para Assembléias
- Poderão utilizar o Tribunal de Justiça, caso organizem um torneio.
- Poderão enviar jogadores para as seletivas nacionais
- Os jogadores registrados por clubes filiados terão descontos nos preços de entrada em eventos organizados pela ABR.
- Os jogadores registrados pelos clubes filiados poderão participar das seletivas para as seleções nacionais e terão reembolso dos custos de transporte (deslocamento).
- entre outras coisas.


4 - Gostaria que o Senhor informasse aos leitores qual o real papel da Associação para o Rugby Brasileiro.

R: De acordo com os estatutos da Associação Brasileira de Rugby, como entidade nacional de administração do desporto, organização apolítica, sem distinção de raça, cor ou credo, terá como finalidade:

a) Dirigir, difundir, e incentivar em todo o território nacional, a prática e o ensino da modalidade de Rugby;
b) Administrar, assessorar, orientar, supervisionar, regulamentar e coordenar o ensino e a prática da modalidade de Rugby em todo o território nacional, aperfeiçoando e intensificando a sua prática;
c) regulamentar, organizar, orientar, fiscalizar, promover, dirigir ou controlar os festivais, torneios, campeonatos, demonstrações, simpósios, cursos, estágios e demais atividades de âmbito nacional e internacional.
d) cumprir e fazer cumprir as leis, estatutos, regulamentos, resoluções, deliberações e demais atos de poderes ou órgãos de hierarquia superior, aplicáveis ao desporto;
e) expedir avisos, portarias, resoluções, deliberação e instruções de natureza administrativa ou técnica as suas filiadas;
f) manter e incrementar as relações amistosas e desportivas entre suas filiadas, incentivando o intercâmbio;
g) autorizar ou não as suas filiadas ou qualquer pessoa física ou jurídica do quadro das suas filiadas,
com a permissão dessas, a participar ou promover cursos, simpósios, estágios, ou de outras atividades de natureza teórica ou prática em torno da modalidade de Rugby, no território nacional; h) filiar-se ou desfiliar-se a instituições nacionais e internacionais, após aprovação da Assembléia Geral;
i) representar o país no exterior em congressos, reuniões ou quaisquer atividades desportivas do âmbito de sua competência, celebrar convenções e tratados desportivos nacionais e internacionais.
j) Aplicar penalidades no limite de suas atribuições aos responsáveis pela inobservância das normas estatutárias regulamentares e legais.
k) Interceder, perante os Poderes Públicos, em defesa dos direitos e interesses legítimos das pessoas jurídicas e físicas sujeitos à sua jurisdição. “


5 - Para a Associação, como ela vê a formação das Ligas Regionais e qual a importância delas para o Rugby Brasileiro? Como deverá ser formada estas Ligas para que ela seja oficializada pela Associação?

R: Na nossa opinião o crescimento ordenado do Rugby Brasileiro passa pela formação de associações/federações regionais. O tamanho continental do nosso país requer uma boa organização regional para que as agremiações tenham melhor respaldo e para que o Rugby possa melhor pleitear apoio nas esferas municipais, estaduais e federais.
A criação destas federações devem seguir os modelos tradicionais de estatutos de federações ou ligas esportivas. Com isso em mãos bastam pedir sua filiação perante a ABR cumprindo os requisitos de filiação.


6 - Como anda os trabalhos com as Seleções de Base e Femininas? Obtivemos informações que haviam dificuldades na organização do calendário de atividades da Seleção Juvenil, sendo este o futuro do Rugby Brasileiro e na minha opinião um enfoque que tem que ser tratado como muita atenção, estas dificuldades já foram superadas?

R: Certamente o desenvolvimento do Rugby feminino e das categorias de base é de vital importância para o futuro de Rugby no Brasil.
Por este motivo convidamos pessoas interessadas para participar da diretoria da ABR, especificamente, para defender os interesses destes segmentos. São eles: Natasha Olsen (Rugby Feminino) e Jean Claude Fedou (Rugby Juvenil).
Quando se inicia um processo sempre existem dificuldades a serem superadas e temos visto isto na implementação do Circuito Nacional Juvenil e Feminino com o adiamento, por parte de clubes hóspedes, de etapas. Temos certeza, porém, que cada uma das nossas agremiações está fazendo o possível para que o circuito seja um sucesso.
O plano de trabalho da seleção juvenil com possíveis "tours", novamente, este ano está sendo analisado e surgiu uma iniciativa no Rio de Janeiro de uma seleção M-18 Fluminense que ao ser copiado em outras regiões permitirá competições entre regiões e assim uma seleção nacional mais forte.
Vocês já sabem que a seleção feminina já esta sendo preparada para possíveis excursões e para participar no campeonato Sul Americano de Seven´s aqui no Brasil em novembro de 2005. Se obtivermos os mesmos resultados obtidos no ano passado será um sucesso retumbante.


7 - Não seria interessante para o cenário esportivo Nacional e Internacional a alteração de título de Associação para Federação ou União de Rugby, pois Associação aparenta ser um grupo pequeno de clubes, limitando a organização regional, podendo teoricamente a formação para os estados apenas de Ligas? Gostaria de um esclarecimento sobre este assunto.

R: Você tem 100% de razão. Estamos aprontando, em fase final de revisão - ainda para este semestre, a mudança do título de Associação para Confederação. Para isto estamos adequando os estatutos ao novo código civil e esta alteração será em breve aprovada em nossa próxima assembléia geral marcada para fins de junho de 2005.


8 - Em nossa última entrevista, o Senhor nos informou da falta de recursos financeiros para conseguir fazer a divulgação o Rugby Brasileiro, tanto internamente como fora do País, além de somente, após 18 meses de trabalho, tinham a real situação do esporte no Brasil, hoje, o Senhor acha que este cenário mudou?

R: Mudou na área financeira! Após um trabalho árduo sensibilizamos alguns órgãos governamentais e conseguimos o apoio financeiro da Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer do estado de São Paulo na pessoa do Sr. Lars Grael para alguns eventos. O nosso relacionamento com o IRB tem permitido apoio mais eficaz desta entidade tanto em termos financeiros quanto técnico e a busca de apoio na iniciativa privada continua.
Esperamos no fim deste mandato poder deixar a ABR com portas abertas em todas estas áreas para que futuras administrações tenham o respaldo financeiro que facilite o seu trabalho de organizar e crescer o Rugby no Brasil.
O que, ainda, não mudou é a conscientização de que somos extremamente carentes de mão de obra. Apesar de todos os membros da diretoria (voluntários) se doarem ao máximo para realizar suas tarefas poderíamos ter mais gente trabalhando para ajudar a dividir o "peso do piano".


9 - Tivemos um crescente aumento de novos times, mas em sua maioria desorganizados por diversos fatores, o Senhor acha que isso é interessante para o Rugby Brasileiro ou que seria mais importante a estruturação dos times já existentes? Ou seja, a Associação tem como prioridade incentivar a organização dos clubes já existentes ou a divulgação do Rugby e formação de novos times?

R: Ambas.
O crescimento do Rugby no Brasil depende do crescimento do número de times e praticantes da modalidade. Também facilita se as agremiações estiverem bem organizadas.
Esta é uma das razões que nós estamos pedindo o cadastramento de todos. Tanto agremiações quanto jogadores.
Esperamos que os leitores de Rugby Magazine nos apóiem nesta empreitada ajudando a convencer as suas equipes a se cadastrarem, pois só assim teremos um melhor posicionamento referente aos números atuais do nosso estágio esporte e assim melhor planejar o seu crescimento. Os leitores ao mesmo tempo terão mais orgulho de carregar o documento que os identifica como um praticante de Rugby reconhecido pela ABR.

Forte abraço,

Roberto de Magalhães Gouvêa
Presidente da ABR e sua diretoria.

Entrevista realizada por Douglas Damame

Fonte: Rugby Magazine

 
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