Assumiu o posto de capitão do Desterro, neste último sábado (12), Roberto Rial França. Com 29 anos de idade, o primeiro capitão do Desterro (1995) joga rugby há treze. Tem 2 filhos, Caio e Yuri, de 6 anos e o terceiro (ainda sem nome) está a caminho (Roberto diz que quer formar um time de seven). É empresário, formado em administração de empresas com habilitação em Comércio Exterior. Roberto é o destaque da foto, batendo palmas e passando instrução para a equipe.
desterrorugby.com.br: _ Você foi o primeiro capitão do Desterro e agora assume o posto novamente, quando o clube completa 10 anos. Como você encara esta responsabilidade?
Roberto: _ Encaro com naturalidade, pois o Desterro é parte da minha vida. É como um filho que vi nascer, crescer e agora tem estrutura para se desprender de seus "pais". É também uma honra, uma felicidade muito grande que os jogadores me proporcionaram e vou fazer de tudo para corresponder à expectativa de todos, dentro e fora de campo.
desterrorugby.com.br: _ Na sua opinião, qual a importância do capitão para uma equipe de rugby?
Roberto: _ A posição, ou status, de capitão é muito importante para a união do grupo. Um bom capitão tem que ter voz ativa entre os jogadores, saber repassar as decisões do técnico na hora certa dentro de campo, dar exemplo para o time e liderar o grupo nas situações mais variadas. Um bom exemplo das atribuições e da importância do capitão na equipe pode ser observada no filme "Vivos" (acho que todos devem ter assistido) onde, numa situação inesperada, o capitão do time tem pulso, liderança e participação crucial para manter a maior parte dos sobreviventes ao acidente nos Andes "VIVOS".
desterrorugby.com.br: _ Você pertence ao grupo de jogadores que praticamente fundaram e montaram a equipe há 10 anos. O que você sente comandando jogadores mais novos e com menos tempo de rugby?
Roberto: _ Muitos dos que estão no time adulto hoje são jogadores que já me tiveram como capitão no Desterro. Quanto aos novos jogadores, mesmo antes de ser eleito capitão (é uma característica minha), tento passar um pouco de minha experiência para que consigam resolver as situações que o jogo apresenta com naturalidade, isso repassando os ensinamentos de grandes professores que o Desterro teve como o Carlos, o Miguel e agora nosso grande "maestro", Orlando. Mas, além disso, minha principal meta como capitão é manter o time unido e disciplinado para treinar muito e mostrar um rugby de qualidade.
desterrorugby.com.br: _ O que você tira de bom nestes anos de rugby na sua vida?
Roberto: _ Essa é uma boa pergunta, poderia escrever um livro ou uma tese sobre o assunto, mas vou tentar ser breve. O rugby corre nas minhas veias há uns 13 anos, hoje, quando olho ao meu redor vejo uma grande família que não pára de crescer e que me traz muitas alegrias. Tenho grandes amigos e alguns irmãos para quem dou (literalmente) o sangue. O rugby tem uma influência muito importante na vida do jogador. Quem é jogador de rugby e realmente internalizou a filosofia do esporte se vira em qualquer circunstância. É um dos poucos esportes que nos traz insumos para encarar a vida de frente e, não importa o tamanho do problema, o
jogador de rugby estará sempre pronto para "tacleá-lo". Acho que essa é a principal lição que tiro destes anos de Rugby.
desterrorugby.com.br: _ Pretende iniciar seus filhos no esporte?
Roberto: _ Com certeza! Se depender de mim, meus filhos serão todos jogadores de rugby. E olha que mais um pouco e eu monto um seven... Acredito que um bom pai tem que dar opções para o filho decidir o esporte que quer praticar e acho natural meus filhos se interessarem pelo rugby. Vou incentivar sempre, pois sei que é um esporte que vai trazer, além do bem estar físico, muitos bons momentos e boas lições de vida. Não só incentivo meus filhos como os dos amigos também.
desterrorugby.com.br: _ Como está o espírito do time para este ano de 2005?
Roberto: _ O time está treinando bem, apesar das limitações de jogadores (temos poucos jogadores "prontos"), alguns que se mudaram e outros com problemas particulares que não estão podendo ir aos treinos. Apesar disso, acredito que vamos ter uma boa temporada. Se todos contribuírem e seguirem o plano de treino do Orlando, além de nos divertirmos muito em campo e nas viagens, vamos conseguir uma boa colocação no campeonato nacional. A moral do time está ótima, pois os treinos estão bem estruturados e exigindo fisicamente e psicologicamente dos jogadores.
desterrorugby.com.br: _ Dê umas palavras de incentivo aos atletas que defenderão a "verdinha" este ano, ao seu lado.
Roberto: _ Se todos treinarmos e nos aplicarmos às propostas e diretrizes técnicas do time, que estão muito bem estruturadas e fundamentadas, teremos uma temporada como faz tempo que não vemos: com muitas vitórias e bons momentos para serem lembrados no futuro. Isso implica uma mudança de atitude dos jogadores e maior aplicação técnica. O "professor" já está trabalhando nisso e os resultados são nítidos a cada treino que passa. GARRA DESTERRO!
Entrevista realizada por João Felipe Werner